Dados coletados entre 2015 e 2025
ANEEL recebeu 1.664 pedidos de instalação
de usinas solares nos últimos 10 anos

Um retrato desse movimento está nos registros encaminhados à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Entre 2015 e 2025, foram protocolados 1.664 pedidos de instalação de usinas fotovoltaicas na região. É importante destacar que esse número não representa necessariamente usinas construídas ou em operação, mas sim o volume de projetos apresentados ao órgão regulador para obtenção das autorizações necessárias. Os dados revelam o forte interesse do mercado em ocupar os territórios nordestinos impulsionado pela combinação de alta incidência solar, disponibilidade de terras e políticas de incentivo ao setor.
Os primeiros anos desse período foram marcados por uma expansão gradual. A mudança de escala começa a aparecer em 2020. Em meio à pandemia de Covid-19, enquanto diversos setores da economia enfrentavam retração, o segmento de energia renovável manteve a atração de investimentos. A aceleração se intensificou nos anos seguintes.
O maior salto, porém, ocorreu nos anos de 2022 e 2023. Em 2022 foram 295 pedidos e, no ano seguinte, foram registrados 877 pedidos de instalação de usinas fotovoltaicas, o equivalente a mais da metade de todos os processos protocolados entre 2015 e 2025. Sozinho, esse volume supera a soma dos oito anos anteriores da série histórica analisada.
O período coincidiu com a consolidação de compromissos internacionais voltados à descarbonização da economia, com o aumento da demanda global por energia de baixo carbono e com o fortalecimento das expectativas em torno da produção de hidrogênio verde, especialmente no Nordeste brasileiro. Estados como Piauí, Ceará, Bahia e Rio Grande do Norte passaram a anunciar grandes investimentos em infraestrutura energética, atraindo empresas nacionais e internacionais interessadas em ampliar sua presença na região.
O Ceará foi o estado que liderou esse movimento. Em 2022, o governo estadual iniciou a estruturação do Hub de Hidrogênio Verde no Complexo Industrial e Portuário do Pecém e, ao longo de 2023, anunciou dezenas de memorandos de entendimento com empresas nacionais e estrangeiras. Em janeiro daquele ano, lançou a primeira molécula de hidrogênio verde produzida no Brasil e informou que já havia 24 memorandos assinados, dos quais três haviam evoluído para pré-contratos. Meses depois, esse número chegou a 30 protocolos de intenção, somando mais de US$ 8 bilhões em investimentos previstos.
O mesmo movimento se repetiu em outros estados da região. No Piauí, o governo anunciou, em 2023, projetos para instalação de plantas de hidrogênio verde no Porto Piauí, com previsão de investimentos de até R$ 200 bilhões até 2035, voltados principalmente à exportação. Na Bahia e no Rio Grande do Norte, governos e empresas passaram a estruturar pólos industriais e portuários para disputar esse novo mercado, aproveitando o potencial regional de geração eólica e solar e a crescente demanda internacional por combustíveis de baixo carbono.
A perspectiva de instalação de grandes plantas de hidrogênio verde, altamente dependentes de eletricidade produzida por fontes limpas, criou um ambiente favorável para que empresas nacionais e estrangeiras ampliassem seus investimentos e protocolassem novos projetos de geração solar e eólica em toda a região Nordeste.