Metodologia
Essa reportagem baseia-se em dados públicos. Não apenas para citar a fonte oficial, mas como reconhecimento de esforços prévios para que fosse possível acessá-las, trabalhar com elas de acordo com metodologias científicas sólidas, publicadas em artigos junto aos dados. Em tempos de teste da soberania e da democracia brasileiras, a opção reforça ambas.
Usinas e Complexos Solares em atividade
Para a apuração e geolocalização das usinas fotovoltaicas, foram utilizadas as bases de dados da Agência Nacional de Energia Elétrica, disponíveis no Sistema de Geração de Energia (SIGA). A atualização da base é mensal, o que fez com que os dados finais fossem atualizados com a base divulgada em Agosto de 2026. Os dados de municípios e unidades da federação foram recuperados da malha de municípios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os polígonos com as áreas de desmatamento foram baixados do MapBiomas em agosto de 2026.
Os cálculos de área, vetorização de polígonos e relações espaciais foram realizadas em projeto específico no Sistema de Informação Geográfico QGIS. A opção pelo sistema reforça a cultura dos dados abertos, uma vez que ele é gratuito, sempre atualizado e integra funcionalidades de gerenciamento de bancos de dados, cálculos e análises geográficas bubsidiadas por ferramentas de processamento eficientes, integrações com APIs de dados público e plugins.
As áreas foram calculadas de acordo com o método oficial do IBGE: projeção dos vetores em Sistema de Referência de Coordenadas ESPG:10857 (SIRGAS 2000 Brasil Albers), fórmula de cálculo definida e integração dos resultados a base final. As áreas foram calculadas em metros quadrados e convestidos em quilômetros quadrados e em hectares. A vetorização dos polígonos foi realizada por análise visual dos pontos recuperados no SIGA sobre mapas-base obtidos de imagens de satélites, como Sentinel-2, Google Satellite, Open Street Maps, ESRI Satellite, além de buscas no Google Maps e no Google Earth. Os polígonos resultantes foram cruzados com os limites municipais para calcular a parcela de cada complexo situada em cada município. Também foram sobrepostos aos Alertas MapBiomas de 2026, permitindo calcular apenas a área dos alertas que efetivamente coincide com os limites dos complexos.
O design do mapa foi definido em outro projeto no QGIS. Conecta-se ao banco de dados do outro, mas dedica-se a estilização de cada camada. Para a produção da versão web do Mapa Narrativo, foi utilizada a ferramenta de Inteligência Artificial Generativa Codex, na versão Plus, executando o modelo do GPT 5.6 Sol Extra Alto. Optou-se por um prompt aplicado inicial, utilizando a técnica few-shot e modelado em cadeias de pensamentos. Após disparado o prompt, foi aplicada a técnica do aprendizado iterativo do modelo, momento no qual foram ajustados detalhes e regras de interação, design e estilização do mapa final.
Expansão da oferta de energia fotovoltaica centralizada no Nordeste brasileiro
Nessa etapa da reportagem, os dados foram extraídos da plataforma RALIE/ANEEL, que acompanha mensalmente os projetos de expansão de oferta de energia, identificando e filtrando as outorgas que foram revogadas, canceladas ou paralisadas judicialmente.
Para calcular uma métrica correspondente entre hectares por MW, utilizamos o total de área em hectares atualmente ocupadas por usinas solares centralizadas em operação (calculada pelo mapeamento realizado neste projeto) e dividimos pelo total de “potência fiscalizada/instalada” informado pelo SIGA (Sistema de Informações de Geração da ANEEL). Neste caso, o total de área ocupada por UFVs centralizadas no Nordeste equivale a 27.637 hectares, e o total de potência fiscalizada correspondente é de 12.000 MW (junho/2026), o que resulta em 2,3 hectares por MW (CA).
Os valores apresentados pela ANEEL e pela plataforma de acompanhamento da expansão de oferta de energia (RALIE) utilizam como base as terminologias “potência outorgada”, “potência fiscalizada” e “potência instalada”. Essas potências têm como base de medida a energia em “corrente alternada” (CA), isto é, a quantidade de energia que sai do ponto de conexão do empreendimento após passar pelo inversor/transmissor, o que é geralmente menor (cerca de 20% a 30%) da capacidade de pico dos painéis solares que é medida em MWp. Neste sentido, caso a métrica seja para avaliar projetos individualizados baseados em MWp, o coeficiente deve ser reduzido para 1,92 hectare/MWp.
Assinam a metodologia:
Diógenes D’Arce Cardoso de Luna
Professor Adjunto do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Cariri (UFCA). Doutorando em Ciências da Comunicação (Universidade da Beira Interior – Covilhã – Portugal). Mestre em Comunicação (Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco).
João Paulo Rabello de Castro Centelhas
Professor adjunto do Curso de Geografia da Universidade Estadual do Piauí (UESPI), campus Clóvis Moura (Teresina-PI). Doutor em Geografia pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia Humana da Universidade de São Paulo (PPGH/USP). Mestre em Geografia, na linha de pesquisa Gestão e Ordenamento Territorial, pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGG/UFRJ).